quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Donina D'Oxum

Candomblé é religião de amor.

Finalmente uma matéria que defende a religião!!!

http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=46364&mdl=29

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Gabriel Chalita

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço:
http://www.youtube.com/watch?v=25rbc0OZn7o

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Maternidade

Achei esse bilhete guardado. Deve ter aproximadamente um ano:

Ao meu filho querido:

Hoje mamãe brigou com vovô pelo direito de você vir pra essa casa. Mas calma, foi uma briga a toa. Ele vai entender que eu preciso de você e que você também precisará de mim e que um dia seremos unidos por laços que nem nós mesmos entenderemos.
Ainda não nos conhecemos, eu ainda não sei seu nome nem vi a cor dos seus olhos, mas já te desejo profundamente, já te amo e já penso no seu futuro.
beijos carinhosos
Mamãe

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Donina D'Oxum

Por favor, leia isto antes
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,menino-com-agulhas-pode-ter-sido-vitima-de-magia-negra,483116,0.htm

Infelizmente, há pessoas que parecem querer que a imagem de uma religião tão bonita pareça horrenda para os olhos de quem não a conhece. Infelizmente, há jornalistas que publicam preconceito como notícia. Não é novidade. Ao longo da história da imprensa no Brasil, há uma infindável variedade de artigos que só fazem macular a imagem de seguidores de religiões afro-brasileiras. Fico realmente muito triste com isso.
Como se já não bastasse sofrer preconceito racial no seio da minha própria gente, como se já não bastasse sofrer preconceito racial toda vez que saio de casa, agora sofro preconceito racial dentro da minha própria casa. E pra piorar, justamente quando eu estou desarmada. É claro, dentro da minha própria casa, fui pega de surpresa. Achei que já tinha me acostumado mas o costume só faz efeito na rua. Quando a gente não sabe de onde vem não tem como se defender, não é mesmo? "Brasileira, preta, pobre. E agora macumbeira??? Poxa, você gosta de sofrer mesmo, hein!?" É, meu camarada, mas por incrível que pareça, nesse caso, eu também não tive escolha. Ou não quero ter. Já que é pra sofrer, então eu vou pra vida de peito aberto. Já que é pra lutar, então eu vou lutar até que o último soldado esteja de pé.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ilú Obá de Min

Saí de casa para o ensaio do Ilú no sábado. Meu pai perguntou a minha mãe:
- O que que ela tá dançando mesmo, hein?
Minha mãe respondeu:
- Dança Afro.
E meu pai solta:
- Vixe!!!! Só deve ter preto!

domingo, 1 de novembro de 2009

Donina D'Oxum

Meu corpo reconhece tuas formas, as ações que você exige. Meus olhos veem tua imagem e a encontra em algum lugar do passado. Passam pelas minhas narinas memórias do teu cheiro.
Minha mente te reconhece e te estranha. "O que é isso?", "Pra quem é agora?" Minhas mãos se ferem no manejo das tuas práticas. A pele da minha cintura se irrita com seus apetrechos.
Mas e a a saudade? Ah, a saudade! A saudade e a necessidade que meu corpo tem de ti são insuportáveis. Meus ouvidos querem te ouvir e minha boca quer te cantar. E eu canto. E me orgulho de nós.
Oraeieio!!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Carta anarquista

Segue abaixo Carta enviada por Pierre-Joseph Proudhon, líder anarquista, a Karl Marx. A controvésia entre os dois gerou, dentre inúmeras cartas, duas obras: Filosofia da Miséria, de Proudhon, e um livro-resposta Miséria da Filosofia, escrito por Marx. Tire suas conclusões. Ou discuta. Só não se cale.
Para Karl Marx, 1846

Pierre-Joseph Proudhon

Lyon, 17 de maio de 1846

Meu caro Senhor Marx,

Concordei de bom grado em ser uma das pessoas incumbidas de receber suas cartas cujos objetivos e organização são, a meu ver, extremamente úteis. Porém não posso prometer respostas muito extensas ou freqüentes, já que minhas múltiplas atividades, combinadas a uma preguiça natural, pouco favorecem tais esforços epistolares. Devo também tomar a liberdade de fazer certas ressalvas que me foram sugeridas por várias passagens da sua carta.

Em primeiro lugar, embora minhas idéias quanto à organização e realização do movimento estejam no momento mais ou menos definidas, pelo menos no que diz respeito aos seus princípios básicos, creio ser meu dever – como é dever de todos os socialistas – manter ainda por algum tempo uma atitude crítica e dubitativa. Resumindo: eu em público professo um anti-dogmatismo quase absoluto.

Procuremos juntos, se assim o desejar, as leis da sociedade, a forma pela qual essas leis poderão ser executadas, o processo que utilizaremos para descobri-las. Mas, por Deus, depois que tivermos destruído a priori todos os dogmatismos, não sonhemos por nossa vez em doutrinar as pessoas; não nos deixemos cair na contradição de seu compatriota Martin Lutero que, depois de ter demolido a teologia católica, lançou-se imediatamente à tarefa de criar as bases de uma teologia protestante, utilizando-se da excomunhão e do anátema. Nestes últimos três séculos, uma das principais preocupações da Alemanha tem sido desfazer o mau trabalho de Lutero. Não deixemos pois à humanidade a tarefa de desfazer uma embrulhada semelhante como resultado de nossos esforços.

Aplaudo, de todo o coração, sua idéia de trazer todas as opiniões à luz. Iniciemos sim uma boa e leal polêmica; tentemos dar ao mundo um exemplo de tolerância sábia e perspicaz, mas não nos transformemos, pelo simples fato de que somos os líderes de um movimento, em líderes de uma nova forma de intolerância; não posemos de apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a religião da lógica e da razão.

Vamos reunir e estimular todas as formas de protestos, vamos rechaçar toda a aristocracia, todo o misticismo; jamais consideremos qualquer tema esgotado e, quando tivermos lançado mão do nosso último argumento, comecemos outra vez – se preciso for – a discussão, com eloqüência e ironia. Sob tais condições eu alegremente unir-me-ei a vós. De outra forma – não!

Também tenho algumas observações a fazer sobre esta frase da sua carta – o momento da ação. Talvez o senhor ainda mantenha a opinião que no momento é impossível haver qualquer reforma sem que haja um coup de main, sem o que era antes chamado revolução e que na verdade não é nada mais do que um choque. Esta segunda idéia que eu entendo, perdôo e que estaria disposto a discutir, tendo eu mesmo compartilhado dela durante um longo tempo, meus estudos mais recentes me fizeram abandoná-la totalmente. Não creio que tenhamos de lançar mão dela para triunfar e, conseqüentemente, não devemos colocar a ação revolucionária como um meio para alcançar a reforma social, já que esse pretenso meio seria apenas um apelo à força, à arbitrariedade, em resumo, uma contradição. Eu coloco assim o problema: provocar o retorno à sociedade, por meio de uma combinação econômica, da riqueza que ela perdeu graças a uma outra combinação. Em outras palavras, utilizar a Economia Política para transformar a teoria da Propriedade contra a Propriedade de forma a criar aquilo que os socialistas alemães – vocês – chamam de comunidade e que eu pessoalmente me limitarei, por ora, a chamar de liberdade ou igualdade. Creio possuir os meios para resolver este problema dentro de muito pouco tempo: preferiria, portanto, queimar a propriedade em fogo lento a lhe dar novo alento fazendo uma noite de São Bartolomeu com aqueles que a têm nas mãos.



(in Correspondência, 1874 – 1875)