quarta-feira, 8 de julho de 2009
Uma orixá escolheu meu corpo pra brincar!!!
No último dia 27, visitei com um amigo, seu filho e sua namorada (Monahyr, obrigada mesmo, cara!!!) o terreiro de candomblé da Mãe Dida, no bairro do Cecap, em Guarulhos.
Apesar da identificação com a religião, confesso que fui ao ritual sem grandes pretensões, afinal, eu estava vivendo uma vida bastante cética. Fui conhecer a religião dos meus antepassados, fui tentar entender porque era não renegada e sofria tanto preconceito. Fomos.
No caminho, por me conhecerem um pouco, os viajantes começaram a tentar adivinhar o orixá de minha cabeça, ou seja, de qual orixá do panteão eu era filha. Brincadeiras a parte, chegamos ao local. Estava apreensiva, afinal, tinha ouvido falar tantos absurdos de tais rituais... (aqui cabe um parênteses - eu queria muito descobrir meu orixá, mas por estar desempregada não tinha dinheiro para jogar os búzios). Minha Mãe mostrou-me sua identidade de outro jeito.
Cada terreiro define a ordem na qual reverencia cada orixá, e eu sinceramente desconheço como cada um é. Meus companheiros se incubiam de me contar a ordem em que cada um dos orixás era "chamado". Eu não sei bem em que altura do ritual, percebi a mudança da música e percebi que se tratava da mudança do orixá a ser reverenciado. Perguntei a meu amigo que Quem se tratava naquele momento. Ele me disse que era Oxum. ( Outro detalhe importante: meses atrás, sonhei com uma amiga vestida de dourado, que me aconselhava. Tempo depois, descobri que se tratava de Oxum.) Não entrei em detalhes, mas contei sobre o sonho. Ele me disse: - Ela é sua mãe.
Comecei a chorar descompassadamente e a partir daí minha lembrança só tem fleches. Um rapaz que participava do ritual veio até mim e me pediu calma. Lembro de me tirarem o casaco e os sapatos. Fui levada ao centro da roda dos orixás e a partir daí as lembranças são ainda mais escassas. Minhas mãos formigavam, eu chorava muito, gritava, ria e dizem que eu dancei um pouco. Não sei se por falta de iniciação, ou se porque é assim mesmo com todo mundo, mas eu me sentia consciente. Ao mesmo tempo em que sentia tudo isso, eu pensava: Não acredito que isso tá acontecendo. Ou consegui perceber quando me guiavam delicadamente no centro do terreiro e pensar: Alguém tá me puxando, melhor eu me deixar levar.
Logo depois, Mãe Dida pediu que eu me acalmasse, que respirasse. Oxum foi deixando meu corpo, senti minhas mãos voltarem ao estado normal, mas eu ainda chorava muito. Me deram água, pediram que eu sentasse. Eu ainda chorava. Me sentia lisonjeada. Naquele dia, minha Mãe Oxum escolheu meu corpo pra brincar, pra participar da festa. Ainda chorando, Mãe Dida me convidou a dançar pra Oxum, e eu a revenciei com toda força do meu coração e com toda a graça que poderia impor a minha dança, porque estava dançando pra Oxum. Busquei meus trejeitos mais graciosos e minha postura mais ereta, de bailarina enferrujada, porque estava dançando pra Oxum.
A experiência me deixou em estado de graça durante dias, e até hoje, depois de passadas quase duas semanas, eu me lembro com saudade da sensação, de tudo. Me vejo querendo voltar aquele estado de catártico. Infelizmente, por não querer causar atrito em minha casa, por hora ainda não acendi nenhuma vela pra minha Mãe Oxum, mas ela sabe que há um vela acesa pra Ela no meu coração, e que há uma vontade imensa de sentir de novo o que senti.
ORAIEIÊU, OXUM!!! ORAIEIÊU!!!
domingo, 14 de junho de 2009
Oração a São Jorge
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
Ogum Rogai por Nós.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Pra que título?
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
15 de janeiro de 2009
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Aviso aos homens:
Nunca deixe uma mulher se perfumar para sair com você para depois você desmarcar o encontro. O vestido se tira, a maquiagem também, mas o perfume fica pairando, lembrando o encontro que não aconteceu.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Júlia Teodósio da SIlva (1919 - 2009)
De qualquer modo, eu nunca vou esquecer sua imagem nem sua história.
Te amo vó
Cibelle
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Sono pra que te quero.
Breve estado de nada ser
De nada pensar
De nada nada
Breve morte
Leve morte
Dura morte.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Venho agora contar-lhes a vida de uma personagem real, que me encanta. Ela é aluna de uma escola da periferia de Guarulhos, mora em uma casa simples, terreno invadido, com a mãe e a irmã pequena. Vamos chamá-la de T. T. me encanta porque tem comentários incríveis sobre assuntos que nem sabe que sabe. Quando crescer, quero ser como ela.
T. me disse um dia que não se considera negra, embora eu veja uma pessoa negra quando olho pra ela. Mas eis que certo dia ela me disse: ... pelo amor de Deus. E eu respondi: Que Deus? T. então me perguntou: Você não acredita em Deus professora? E eu disse: Não da maneira que a maioria das pessoas acredita. T. olhou pra mim com uma cara de quem me pegou e perguntou: Você vaina macumba professora? Porque eu vou!! Podemos marcar um dia para irmos juntas! E eu fiquei de queixo caído. É claro que não são só negros que frequentam os terreiros nesse país, mas é incrível como ela está ligada a suas raízes de maneira tão entregue.
Certa feita, estava eu com meus cabelos crespos pouco tradicionais presos de maneira discreta. T. que tem os cabelos alisados me pede: Professora, solta o cabelo! Eu queria usar ele assim, mas não tenho coragem. A morena T. sabe de sua cor, um dia ela chega lá. E eu vou ter me orgulhado de ajudar.
Pra finalizar: estava eu na casa de T. quando sua mãe a proíbe de sair com um shorts muito curto, porque os homens ficariam olhando seu corpo. E T., para minha surpresa, responde: E daí! Eu vou sair com o shorts porque eu quero, e daí que vão olhar. Vou deixar de sair por causa disso agora? T. é uma feminista como poucas. Um dia serei como ela. Um dia.